Penso que esse tipo de coisa muda tanto a gente, que acaba sendo uma ida sem volta em diversos sentidos (calma, Pai, vou terminar a faculdade, estou falando de subjetividade!). Você deixa aqui sua vida, sua família, seus amigos, seus amores, sua cama, seu teto, sua gaita e seu violão, e vai para um lugar onde ainda precisa se inventar, - alguém tem dúvidas de que somos uma invenção de nós mesmos? - e ser a Flávia que quiser para essas pessoas completamente diferentes, que nem bem sabem pronunciar o seu nome... vinte e um fucking years, em apenas três meses! O superego fica no aeroporto e nós vamos embora, encontrar com esta parte muito íntima de nós mesmos. Mas acontece que é tudo uma loucura saudável e um crescimento pessoal que poucas pessoas terão oportunidade de experimentar um dia, e se você, como eu, está tendo, segure as borboletas aí no estômago, permita-se esse desespero, e pense que virá o que tiver que vir: tão perfeito quanto inesquecível. O segredo é gostar do movimento, e, como aconselha Geraldo Azevedo, "Não pare, não pense demais, repare essas velas no cais, que a vida é cigana, é caravana."
Quanto à parte séria da coisa, estive hoje no despachante e fiquei muito aliviada em saber que meu visto fica pronto em 20 dias úteis. A embaixada agora trabalha com vistos eletrônicos, que são enviados por e-mail, e por isso não pede mais que o nosso passaporte siga pelos correios. Por um lado, achei isto uma pena: confesso que queria ter a página dele simbolicamente carimbada! hahahaha Mas sei que é bobagem minha, sejamos a favor da praticidade!
"Tchau, mãezinha, fui beijar o céu
A vida não tem tamanho
Tchau, paizinho, eu vou levando fé
É tudo luz e sonho"
(Cazuza)